ÚLTIMAS NOTÍCIAS AMBIENTAIS

Uma das ações que mais demandou esforços foi o incêndio de grandes proporções na Estrada do Manso.

Brigadistas da Defesa Civil de Cuiabá já atenderam aproximadamente 180 ocorrências em um mês, de acordo com a prefeitura da capital. Os dados são com base nos registros de agosto até a primeira semana de setembro.

Uma das ações de combate às chamas de grandes proporções foi registrada às margens da MT-351, na Estrada do Manso. Segundo a Defesa Civil, a ação durou cerca de cinco dias, em conjunto com as equipes do Corpo de Bombeiros, Exército e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo os bombeiros, as chamas se alastraram na região do Manso, em grande parte, porque alguns proprietários locais usaram a técnica de fogo contra fogo. Esta modalidade de combate, feita de maneira incorreta, pode agravar a situação em vez de contê-la.

A orientação da Defesa Civil é para que a população não queime o lixo e nem as folhas que caem das árvores no quintal das residências.

Uso do fogo em área urbana é crime ambiental em qualquer época do ano, de acordo com a lei federal nº 9.605.

Na zona rural, o período proibitivo deste ano se estende até dia 30 de outubro, segundo decreto do governo estadual.

Mato Grosso teve 597 alertas de desmatamento em áreas de Cerrado de 1º de janeiro a 31 de julho de 2022, segundo a plataforma SAD Cerrado, lançada nesta segunda-feira (12). Destes alertas, 333 foram em terras indígenas, 6 em territórios quilombolas, 576 em assentamentos, mas a maioria em imóveis privados registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

A área total desmatada nestes alertas foi de 38.857 hectares. O mês em que mais houve alertas foi maio, com 614 alertas e área total de 8.084 hectares desmatados. Neste mês, o município com maior número de alertas foi Paranatinga, e o com maior área de alertas foi Comodoro.

O Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado) foi lançado em plataforma virtual aberta nesta segunda-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com a rede MapBiomas e com o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), da Universidade Federal de Goiás (UFG). O IPAM é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia que funciona por meio de inteligência artificial e utiliza imagens do satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, com resolução de 10 metros.

“Devido à heterogeneidade das paisagens e à sazonalidade da vegetação, o monitoramento do desmatamento no Cerrado sempre foi muito desafiador. Áreas de vegetação nativa exuberantes na época de chuva podem perder todo o seu vigor na seca, se assemelhando a áreas desmatadas. Além disso, áreas afetadas pelas frequentes queimadas no bioma podem ser confundidas com desmatamento. Nesse contexto, o uso de inteligência artificial e imagens de satélite de alta resolução permitem detectar áreas desmatadas com maior detalhamento e acurácia”, explica Juan Doblas, pesquisador no IPAM responsável pelo SAD Cerrado.

Em 2022, o SAD Cerrado detectou mais de 50 mil alertas, totalizando 472,8 mil hectares desmatados até o dia 31 de julho. Somente no último trimestre, houve um aumento de 15% na área desmatada no bioma em relação ao mesmo período do ano passado: foram 291,2 mil hectares derrubados, entre maio e julho de 2022, contra 253,4 mil hectares desmatados nesses mesmos meses de 2021.

Mais de 70% da área desmatada corresponde a alertas maiores que 10 hectares. A área média dos alertas detectados pelo SAD Cerrado é de 9,43 hectares, com maior frequência de detecção nos meses de maio a julho, período do início da estação seca no Cerrado.

A mata fechada e o terreno montanhoso vêm dificultando o combate ao fogo realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso no Parque Estadual Cristalino II, em Novo Mundo (a 785 km de Cuiabá). Com o reforço enviado na segunda-feira (13), são cinco equipes de bombeiros na região, além do apoio de uma Brigada Estadual Mista de Nova Bandeirantes e uma Brigada Municipal Mista de Nova Monte Verde.

Parque Estadual Cristalino I e II no norte de Mato Grosso já perdeu 5.080 hectares desde o dia 13 de agosto por conta dos incêndios florestais que atingem a Amazônia Legal.

Os dados são do projeto Observatório Socioambiental de Mato Grosso (ObservaMT) que analisaram os dados até esse domingo dia 11 de setembro. Ao todo os parques possuem 184.900 hectares e estão localizados entre os municípios mato-grossenses, de Alta Floresta e Novo Mundo, divisa entre Mato Grosso e Pará.

Os militares realizam o combate no local, enquanto remotamente o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá, faz o monitoramento da região via satélite e traça estratégias em conjunto da Sala Descentralizada de Alta Floresta”, afirma a comandante do BEA, tenente-coronel Jusciery Rodrigues.

A comandante explica que o parque possui mata fechada e terreno montanhoso, o que dificulta as ações, mas as equipes trabalham no combate direto das chamas com sopradores e mochilas costais. Também foi realizada a construção de aceiros preventivos com apoio de máquinas de fazendeiros e moradores da região. O uso de uma aeronave está sendo estudado.

O Corpo de Bombeiros já realiza fiscalizações e autua proprietários da região, tendo em vista que o incêndio iniciado na última sexta-feira (9) tem origem em propriedades privadas, conforme estudo realizado pelo BEA a partir da dinâmica do fogo apontada por imagens de satélite.

Os dados são do projeto Observatório Socioambiental de Mato Grosso (ObservaMT) que analisaram os dados até esse domingo dia 11 de setembro. Ao todo os parques possuem 184.900 hectares e estão localizados entre os municípios mato-grossenses, de Alta Floresta e Novo Mundo, divisa entre Mato

Os militares realizam o combate no local, enquanto remotamente o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá, faz o monitoramento da região via satélite e traça estratégias em conjunto da Sala Descentralizada de Alta Floresta afirma a comandante do BEA, tenente-coronel Jusciery Rodrigues.

A comandante explica que o parque possui mata fechada e terreno montanhoso, o que dificulta as ações, mas as equipes trabalham no combate direto das chamas com sopradores e mochilas costais. Também foi realizada a construção de aceiros preventivos com apoio de máquinas de fazendeiros e moradores da região. O uso de uma aeronave está sendo estudado.

O Corpo de Bombeiros já realiza fiscalizações e autua proprietários da região, tendo em vista que o incêndio iniciado na última sexta-feira (9) tem origem em propriedades privadas, conforme estudo realizado pelo BEA a partir da dinâmica do fogo apontada por imagens de satélite.

Queimadas ilegais já duram um mês. Organizações denunciam ausência do poder público no controle das chamas. Proprietários do entorno se unem em brigadas

Há um mês, os Parques Estaduais Cristalino I e Cristalino II, no norte do estado do Mato Grosso (MT), estão sendo destruídos pelas queimadas e o desmatamento sem controle. Segundo números divulgados nesta segunda-feira (12) pelo projeto Observatório Socioambiental de Mato Grosso (ObservaMT), 5.080 hectares de vegetação nativa já foram perdidos para as chamas, que se alastram desde o dia 13 de agosto.

Na área do entorno das unidades de conservação, o fogo se espalhou por mais 1.800 hectares, atingindo propriedades rurais e habitações. De acordo com o Observa MT, até o último domingo (11), a presença de instituições públicas de defesa do meio ambiente no combate ao fogo não havia sido registrada.

 

Devido à ausência do poder público, proprietários de terra do entorno das unidades formaram uma Brigada, mas a falta de equipamentos adequados e pessoal insuficiente tem dificultado os trabalhos.

No dia 16 de agosto, o Corpo de Bombeiros chegou a anunciar que o fogo estava controlado, mas, segundo a Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação (Rede Pró – UC), ele nunca foi, de fato, extinto. 

“Acreditamos que seja o mesmo fogo que se espalhou, ele nunca foi controlado, na verdade. Até porque o efetivo do Corpo de Bombeiros que está na região é composto por apenas três brigadistas, sem equipamentos, sem aeronave, sem nada. Na semana passada sobrevoamos a área e descobrimos que o fogo está enorme”, disse a ((o))eco a Diretora -Executiva da Rede Pró-UC, Angela Kuczach.

 

As unidades de conservação têm ao todo 184.900 hectares e estão localizadas entre os municípios mato-grossenses de Alta Floresta e Novo Mundo, divisa entre Mato Grosso e Pará.

Os Parques Cristalino I e II estão entre as unidades de conservação mais importantes da Amazônia, com 600 espécies de aves registradas, das 850 existentes na parte brasileira do bioma. Dessas 600 espécies, 25 delas estão oficialmente ameaçadas de extinção. 

Os parques também abrigam o macaco-aranha-de-cara branca (Ateles marginathus), espécie ameaçada que só ocorre naquela área e se tornou símbolo das unidades.

No último sábado (10), a Rede Pró-UC divulgou em sua conta no Instagram um vídeo do sobrevoo sobre o Cristalino II citado por Kuczach. Nele, é possível ver áreas de floresta amazônica primária sendo queimadas, muitas áreas desmatadas e outras desmatadas já totalmente transformadas em cinzas.

“O que se vê aqui de cima é muita fumaça, muito fogo, dentro da área do parque. A gente está trocando área protegida de floresta amazônica por um deserto, botando fogo em tudo […] uma área que deveria estar sendo protegida para esta e futuras gerações”, diz Angela, no vídeo.

((o))eco entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso para saber quais medidas estão sendo tomadas para o controle das chamas, mas não recebeu resposta até o fechamento da matéria. O espaço permanece aberto.

O filme é resultado do projeto Pantanal+10, que registra a situação climática do Pantanal e na vida dos habitantes.

Nesta terça-feira (13), ocorre a exposição do livro “Céu e Inferno em Terras Alagadas”, de José Medeiros, com exibição do documentário curta-metragem “Fogo e Fé”, no Palco Cultural do Goiabeiras Shopping em Cuiabá. O evento começa às 19h e a entrada é gratuita.

O projeto é idealizado pelo fotógrafo José Medeiros e tem como objetivo apresentar o Pantanal durante uma década e conscientizar a sociedade sobre as consequências negativas que a ação humana traz ao planeta.

O documentário é resultado do projeto Pantanal+10, que registra a situação climática no Pantanal e na vida dos habitantes.

“O Pantanal vem sendo ameaçado ano após ano pela mineração ilegal, a fronteira agrícola que consume a vegetação nativa e, principalmente, as absurdas propostas de criação de hidrovias no rio Paraguai e a implantação de hidrelétricas. O Pantanal é um berçário da natureza hoje pedindo socorro”, alerta o fotógrafo.

José iniciou esse plano em 2020, período em que a maior planície alagada do mundo chamou atenção após sofrer uma série de eventos envolvendo incêndios fora de controle, e deve encerrá-la apenas em 2030. O grito de alerta sufocado pela fumaça é o destaque da primeira etapa do projeto.

O livro ‘Céu e inferno em Terras Alagada’ conta com diversas fotografias que retratam o período de queimadas que o bioma sofreu. Além de textos críticos do artista plástico Humberto Espíndola e do crítico e curador Juan Esteves, com participação especial da crítica de artes Aline Figueiredo.

Já o curta-metragem ‘Fogo e Fé’ possui depoimentos sobre a tragédia vivida pelos pantaneiros e exibe cenas impactantes da destruição do fogo e a fé das mulheres rezadeiras que clamam pela salvação do Pantanal.

Pantanal+10

O projeto nasceu do questionamento 'O Pantanal é a maior planície alagada do mundo, patrimônio Natural da humanidade, reserva da biosfera, mas até quando?'. A partir dos incêndios de 2020, José Medeiros se propôs documentar as transformações pantaneiras durante os próximos dez anos.

O projeto Pantanal +10 é idealizado por José Medeiros imerso há 30 anos no Pantanal. Em 2014, lançou seu primeiro livro de fotografias, resultado de onze anos de dedicação. “O Pantanal de José Medeiros” que retrata o homem pantaneiro e sua cultura singular ainda preservada.

O projeto Pantanal+10 será exibido durante todo mês de setembro.

Sociedade Internacional de Primatologia recomenda que espécie receba mais atenção a possíveis ameaças, já que é raramente encontrado no estado.

 

O macaco-aranha-de-cara-branca, espécie que vive no Parque do Cristalino, em Novo Mundo, a 791 km de Cuiabá, está ameaçada de extinção e entreou para a lista internacional que aponta o risco de desaparecimento. O local enfrentou um incêndio que levou 13 dias para ser extinguido.

Segundo os pesquisadores, os incêndios são uma das principais ameaças aos macacos, que animais fogem da floresta, mas acabam correndo outros riscos como a fiação de casas, além de ficarem sem alimentos, porque muitos frutos, insetos e invertebrados também são queimados.

Um biólogo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) de Sinop relatou que o hospital universitário recebeu um macaco da espécie que foi eletrocutado, conforme o documento.

Conforme relatório da Sociedade Internacional de Primatologia, é recomendado que a espécie receba mais atenção a possíveis ameaças, já que é raramente encontrada no estado.

De acordo com o relatório internacional, a redução da população desta espécie é superior a 50% nos últimos 45 anos. O cenário pode agravar-se ainda mais com a expansão de construção de hidrelétricas, barragens e rodovias.

O documento alerta que os longos intervalos entre partos, além da tardia idade para reprodução destes macacos, são fatores que dificultam a recuperação da espécie.

Além do macaco-aranha-de-cara-branca, o zogue-zogue também foi classificado entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo.

A espécie

O macaco-aranha-de-cara-branca se alimenta de frutos, insetos, néctar, brotos, folhas, casca de árvore, flores e cupins. Na reprodução, os indivíduos desse gênero possuem maturação sexual tardia e reproduzem-se vagarosamente, nascendo um filhote a cada dois ou três anos. A gestação demora aproximadamente sete meses, nascendo um filhote, com 340 gramas.

Adulto, ele mede de 34 a 50 cm de comprimento e pesa entre 5 a 6 kg, ten membros compridos e estrutura esguia.

Com preênsil medindo entre 61 a 77 cm, o macaco-aranha o utiliza para locomoção e forrageamento. A pelagem é macia e negra, mas o focinho e o redor dos olhos possuem pele nua cor-de-rosa ou vermelho-clara.

Possuem várias vocalizações, que utilizam quando encontram comida e para manter o grupo unido. O macaco-aranha-de-testa branca Forma grandes grupos sociais (mais de 30 indivíduos), que ocupam preferencialmente os níveis superiores do dossel e nas árvores emergentes.

São caçados para alimento e também para se transformarem em xerimbabo (animal de estimação) pelos índios.

O Parque Cristalino II começou a pegar fogo, no dia 13 de agosto. A reserva está localizado na cidade de Novo Mundo, a 791 km de Cuiabá. As chamas começaram há uma semana em uma área recém desmatada. Segundo ONGs que acompanham a situação do local, já queimou cerca de 1 mil hectares.

Segundo o delegado Lucas Lélis, responsável pelas investigações, o incêndio pode ter sido causado por uma aeronave que pousou no local.

Eles também recolheram assinaturas para entrar com uma ação popular em defesa do bioma.

 

Um grupo de manifestantes em defesa do meio ambiente protestaram, neste sábado (3), às margens do Rio Cuiabá. O principal objetivo do grupo é lutar para que a Justiça derrube os efeitos de uma lei que regulamenta a ocupação do Pantanal.

Eles se referem à nova lei que legaliza a pecuária extensiva nas áreas de proteção permanente, na qual flexibiliza regras para a produção agrícola com uso de agrotóxicos e também abre espaço para investimentos no turismo.

 

Ocorrências foram registradas entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães e em Sorriso, a 420 km da capital.

 

Focos de incêndios foram registrados em diferentes locais de Mato Grosso durante o fim de semana.

No km 19 da MT-251, região próxima à Comunidade Rio dos Peixes, estrada que liga Cuiabá à Chapada do Guimarães, três equipes do Corpo de Bombeiros estiveram no local para controlar as chamas.

Ainda segundo a corporação, na manhã da última quinta-feira (3), um incêndio, no mesmo local, mobilizou duas equipes do Batalhão de Emergências Ambientais de Cuiabá e uma Base Descentralizada Bombeiro Militar de Chapada dos Guimarães. As chamas foram extintas no mesmo dia.

 

Incêndio no km 19 da MT-251, região próxima à Comunidade Rio dos Peixes, Cuiabá.

No assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, na tarde do domingo (4), um incêndio foi registrado em uma propriedade particular e assustou os moradores.

A situação se repetiu na manhã desta segunda-feira (5), no Residencial Parque Mirela, em Cuiabá, que também teve registro de fogo no local.

 

 

 

Assembleia Legislativa derrubou veto integral do governo na sessão da quarta-feira (24).

A lei nº 11.865, que proíbe a construção de usinas hidrelétricas (UHE) e pequenas centrais hidrelétricas (PCH) em toda a extensão do Rio Cuiabá, foi publicada na edição desta quarta-feira (31) do Diário Oficial.

Segundo a proposta, a proibição se dá devido ao alto grau de impacto ambiental e social, já que a instalação desse tipo de usina e a construção de barragens refreiam o curso do rio e é preciso alargar grandes áreas, o que afeta diversas regiões e o meio ambiente.

A lei foi aprovada no dia 4 de maio pela Assembleia Legislativa por 12 votos favoráveis e duas abstenções. A iniciativa é dos deputados Wilson Santos (PSDB), Eduardo Botelho (União Brasil), Elizeu Nascimento (PL), Prof. Allan Kardec (PSB) e Sebastião Rezende (União Brasil).

No mês passado, o governador Mauro Mendes (União Brasil) vetou, de forma integral, o projeto de lei. Segundo o estado, a Procuradoria Geral considerou a proposta inconstitucional.

O veto foi derrubado na sessão de 24 agosto, com 20 votos a favor e três contrários.

O Rio Cuiabá possui área de 16 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente, sendo que 2 mil deles já se encontram degradados por intervenção humana.

Pesquisadores do Brasil e do exterior alertam que o avanço do desmatamento com a perda de cobertura florestal em áreas protegidas já coloca em risco as populações de primatas. O tema foi um dos assuntos discutidos durante o XIX Congresso Brasileiro de Primatologia, iniciado em Sinop (MT) no final de semana. Entre os riscos do aumento de áreas desmatadas está o da extinção de espécies, incluindo algumas já classificadas como raras.

 

Área da Amazônia Legal atingida pelas queimadas equivale a 2 vezes o território de Sergipe; 30% ocorreu em Mato Grosso

 

Pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (CONICET) da Argentina, Martin Kowalewski, apontou o desmatamento como a principal ameaça para as populações de primatas no Brasil. Segundo ele, é notório que o avanço do agronegócio no país tem contribuído não só com o aumento de incêndios florestais para dar lugar a plantações e pastagens, como também a dificuldade em punir os responsáveis por estes crimes.

 

“Sabemos que os incêndios nestas áreas não são naturais. A perda de um macaco reflete na perda do equilíbrio e resiliência ecológicos. Os ecossistemas não estão fortes para resistir ao desmatamento. Os primatas são importantes para toda a cadeia alimentar em áreas florestais e já temos espécies desaparecendo, seja pelo desmatamento, doenças, contato com pessoas e animais domésticos, dentre outros motivos. Temos que respeitar a vida, os animais e as pessoas e lutar pela preservação de cada espécie.”

 

Integrante do Instituto Ecótono, que compõe o Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), a pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop, Christine Steiner São Bernardo, abordou a ameaça aos primatas frente às mudanças climáticas no estado. Demonstrando as alterações em territórios nos últimos anos, ela ressaltou que enquanto na década de 70, em Mato Grosso, havia grandes áreas florestais, atualmente há poucas, incluindo unidades de conservação. Entre as causas estão o avanço de monoculturas, como a soja; grilagens; construção de hidrelétricas; abertura de pastagens, além do desmatamento.

 

“A partir dos incêndios de 2020, fizemos um inventário de primatas ameaçados por estas queimadas nos trechos de florestas às margens do rio Teles Pires e o cenário encontrado nas matas é de muitas áreas de secas e queimadas. Porém, destaca-se também a importante atuação de assentamentos rurais com diversas iniciativas que tentam contribuir com a preservação destas espécies.”

 

Localizado ao norte de Mato Grosso, o Território Indígena do Xingu é uma das seis áreas do “arco do desmatamento” analisada pelo Projeto Impactos de Incêndios Florestais sobre Primatas em Áreas Protegidas da Amazônia (PIFAM), do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros do Instituto Chico Mendes (ICMBio).

 

O pesquisador Leandro Jerusalinsky apresentou alguns dos dados prévios do estudo que no caso da terra indígena mostram uma alta na concentração de incêndios na época de seca, tanto dentro da área protegida, como no entorno. Para 2023, estão previstas novas expedições ao Xingu para ampliar os estudos e verificar dados identificados pelo monitoramento de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Recuperação – Professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), José Rímoli, chamou a atenção para a forte incidência de queimadas no Pantanal, fazendo com que o fogo praticamente seja “parte da paisagem” do bioma. Ele apresentou dados de sua pesquisa sobre a perda acumulada de vegetação no Pantanal em 2020, considerado o ano mais trágico para a região, com 23 mil km2 de áreas queimadas. O pesquisador destacou ainda a importância da proteção de unidades de conservação para a segurança de primatas e mostrou algumas das espécies que já se encontram em extinção no Pantanal. “O fogo chegou a quase 93% da área do Pantanal, o que representou cerca de 9,5 mil macacos pregos atingidos direta e indiretamente pelas queimadas. É necessário investir em medidas como o monitoramento das áreas, brigadas de bombeiros, programas de educação ambiental, políticas do uso do fogo, além da implantação de centros de resgate e reabilitação de vida selvagem dentro do Pantanal. Em Mato Grosso do Sul, existe apenas um, onde a taxa de retorno à natureza das espécies animais afetadas chega a 70%. Aqui em Mato Grosso, não tem”, argumentou. Atividades – O simpósio “A ameaça de incêndios florestais para populações de primatas” compôs a grade de programação do Congresso no domingo (28). O dia contou ainda com discussões sobre a conservação de primatas, diversidade comportamental em macacos-prego, translocação como estratégia de conservação da biodiversidade; e painéis nos eixos Ecologia, Comportamento, Manejo e Conservação e Outros. O evento é organizado pela Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) e segue até a próxima quarta-feira (31). O Formad é uma das entidades parceiras do Congresso.